Entre Laços - Espaço terapêutico

sábado, 9 de outubro de 2010

Pouca Vogal "Além da máscara"

http://twitter.com/CARPINEJAR

DOSES DIÁRIAS DE POESIA E IRREVERÊNCIA.

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

O MEU, O SEU, O NOSSO QUERIDO DIÁRIO!

Sobre o limbo:
Martendal me ajudou a conhecer que tentar
sair do limbo seria trocar a prótese por uma autenticidade até então desconhecida, que exporia as facetas não tão apreciadas pela perseverante sociedade.

O sujeito como uma floresta...com regiões ensolaradas e secas, mas também úmidas e escuras.

...tirar tudo a limpo, desprezar a máscara, assumir o desejo, refutar sentidos oferecidos por terceiros que acabam deixando o dia menos nublado em nome de uma certa satisfação momentânea.

Sair do limbo exige a ruptura de uma inércia, remar contra a correnteza e atravessar um deserto que sopra areia nos olhos. Pura violência, puro desconforto, pura reinvençã

Alguém escreveu antes que eu pudesse pensar que: “Só conseguimos deitar no papel, os nossos sentimentos, a nossa vida. Arte é sangue, é carne. (...) só podemos expor o que somos
Clarice Lispector utiliza o termo Dura Escritura em Água Viva ao expressar o fatigante exercício de escrever “...antes de mais nada te escrevo dura escritura, quero como poder pegar com a mão a palavra”. Outro poeta, inglês, disse: “Que notícias sensacionais podemos obter dos poemas? No entanto, pessoas perecem a cada dia, por falta do que ali se encontra”.
Na busca de criar novos mundos ou novas formas de sentir, utilizamos criativamente a letra para dar conta do silêncio das coisas. Conseguindo significar com palavras o que não é palavra. Como escreve Cargnin no livro A Instabilidade do dragão (relatos de uma bipolar). “Agradeço por um simples caderno e uma caneta terem a capacidade de me acalmar e desabafar ao mundo, sem medo do julgamento o qual, muitas vezes, dá início à incredibilidade”.

É na escrita que esse aniquilamento nutrido pelo limbo do cotidiano ganha chance de mudar de cor, de se desfazer e de transformar impessoalidade em singularidade.

A experiência, e a literatura pode “constituir uma experiência que, ilusória ou não, aparece como um meio de descoberta e de um esforço, não para expressar o que sabemos, mas para sentir o que não sabemos.

Agradeço aos que tem esse dom de colocar no papel todo o seu pathos, e aí a tradução fica por conta da vontade, paixão ou patologia, como quiserem.

Agradeço aos que se arriscam na empreitada de dar forma escrita ao que não tem forma. O divino mora nessa coragem!



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