Entre Laços - Espaço terapêutico

quinta-feira, 29 de julho de 2010

GRUPO DE LEITURA E REFLEXÃO


Outra vez, sobre “elas”!

Depois de semanas de atrocidades cometidas contra “elas”. Sim porque é bem comum pensarmos que só acontece com “elas”. Quem são “elas”? Elas, as mulheres que estão longe de nós. Mas que podem estar bem perto. Dentro de nossas relações. Somente faltando a coragem para gritar. Pois há o direito ao grito, como nos dizia Lispector, mas ainda não gritamos. Ainda vivemos num mundo em que ser garota de programa, atriz pornô é mais assustador do que ser assassino.
O artigo a seguir é do site http://www.feminal.com.br/quem-somos/ e foi escrito por Rosiska Darcy de Oliveira, escritora e jornalista, que trabalha há 30 anos na liderança de movimentos feministas. Para refletirmos...


“É possível que, nas sombras, uma mulher tenha sido estrangulada e jogada aos cães. Outra, à luz do dia, seria morta a pedradas não a tivesse salvo, in extremis, uma corrente global de defesa de direitos humanos. Por enquanto…
“Uma ‘piranha’ querendo extorquir o goleiro do Flamengo”, me explicou um chofer de táxi, indignado com a injustiça contra o acusado. A outra, adúltera, palavra maldita na boca de aiatolás escandalizados, no Irã do companheiro Ahmadinejad. Fogo, pedras, bala nas costas ou rotweillers, aqui ou lá, são fins previsíveis das mulheres atiradas na vala das indecentes. No Irã, apoiada na religião e na tradição, a execução é legal. No Brasil, é clandestina e selvagem, apoiada na inoperância do Estado e na apatia da sociedade. As delegacias de atendimento a mulher foram necessárias. Quem recorria a uma delegacia comum esbarrava no preconceito da própria polícia. Mereceu a surra que levou? Provocou com pérfida sedução o estupro que sofreu? Houve quem risse, cúmplice,quando o goleiro Bruno perguntou qual o homem que, na vida, nunca saiu na mão com uma mulher. Quem se associaria hoje, mesmo em um sorriso, a tão ilustre pensador? A lei Maria da Penha exprime o repúdio de mulheres de todas as classes à barbárie de um mundo anômico e sombrio. Exigiram proteção do Estado e punição para agressores e assassinos, fossem eles maridos, amantes ou namorados eventuais. Supunha-se que a lei teria efeito punitivo e também dissuasório. Anos depois, o país registra a cifra estarrecedora de uma mulher assassinada a cada duas horas. Que sociedade de orangotangos é essa? Que democracia inconclusa é essa? Paradoxo inexplicável, um país que se apresenta ao mundo como potência emergente, alardeando modernidade, com duas candidatas à presidência da república, é o mesmo que convive com o massacre das mulheres, nos aproximando do que há de mais anacrônico no mundo contemporâneo. Eliza Samudio procurou uma delegacia, invocou uma lei e foi enviada a um juizado que, todos, existiam para protegê-la. Deixada ao desabrigo, foi morta. O sistema judiciário falhou tragicamente. A responsabilidade cabe a ele mesmo apurar e punir. Não é a primeira vez que falha. O jornalista Pimenta Neves, assassino confesso que, pelas costas, executou a amante, condenado a dezenove anos de cadeia, está em liberdade, blindado por artimanhas jurídicas. O cidadão Joseph K, no livro O Processo de Franz Kafka, é encarcerado por um crime cuja acusação não conhece. Pimenta, personagem kafkiano pelo avesso, foi libertado malgrado um crime que confessou. Tão perigosa quanto à violência explícita do crime ou a inoperância da justiça é a violência surda dos olhares enviesados, dos “mas” ou “talvez” que desculpam a brutalidade, argumentando que a moça não era nenhuma santa. Crimes bárbaros encontram atenuante nos “pecados” sexuais atribuídos às mulheres. Só elas são ‘vagabundas’, resguardado aos homens o direito a fazer em matéria de sexo o que bem quiserem sem que isso interfira em outros aspectos de suas vidas ou reputação. Don Juan e Casanova são os modelos mais acabados da virilidade bem sucedida. A literatura está cheia de exemplos de rapazes pobres que “sobem na vida”, casando-se com herdeiras e tudo se passa em um clima de esperteza consentida e incentivada. Não há masculino para piranha. Políticos fazem orgias, jogadores de futebol também, condenadas são as mulheres que delas participam. Eles não, apenas exercem um direito ancestral – são folguedos, farras – onde usam seres humanos como coisas que desprezam. Não nos iludamos, a chamada mulher honesta também apanha se contraria um violento. O sentimento de poder não aceita desobediência. A falha não está somente na justiça. A lei, por melhor que seja, não arranca as raízes de uma cultura perversa. Quem muda a cultura são os homens e mulheres que decidem recusar em suas vidas as relações de poder que deságuam nessa aberração. A sociedade não é uma abstração, é o dia a dia das pessoas, nos gestos de amor ou de ódio, no sexo que reconhece – ou não – qualquer mulher como um ser humano. Assassinos de mulheres não são necessariamente psicopatas. São criminosos que acreditam no seu bom direito de matar e por isso não se arrependem. Mortas, suas vitimas continuam a ser culpadas. Há países islâmicos em que as impuras são jogadas em um buraco e apedrejadas. Não seria essa a encenação perfeita, a atualidade e materialização de uma lei que, não escrita, ainda vigora, também entre nós, inconsciente ou inconfessa?
Luciene Tomazi da Silva | Criar seu atalho

segunda-feira, 19 de julho de 2010

Entre-laçando Re-flexões


Entre pessoas e MÁQUINAS


Na era da modernidade líquida, como nos fala muito bem Bauman (2005), a preferência é dada aos relacionamentos em redes. Estas podem ser tecidas e desmanchadas com semelhante facilidade, e sem que com isso haja algum envolvimento, além do virtual.

E nesta modernidade, conseguiremos criar laços? Pois entre pessoas estão as máquinas. E como manter estes laços na virtualidade?

Outro dia li um artigo intitulado, Entre pessoas e MÁQUINAS, de um educador da USP e observei com interesse a forma de escrita, em letras maiúsculas, da palavra “máquinas”. O intuito, provavelmente, era chamar a atenção para o valor destas, diria até, para a personificação das mesmas. Ora, já vemos por aí crianças e adultos tratando seus laptops e telefones celulares, como se os mesmos, tivessem vida. Abdicando estes de estar em contato real com os seus semelhantes, nas praças, lanchonetes e sorveterias.

Demasiada preocupação? Pode ser. Mas na verdade poderá existir vida sim, nessas máquinas! Existe a história das vidas de crianças e adolescentes sendo tecidas nas redes virtuais. Angústias adolescentes sendo trocadas, divididas e expostas em sites de relacionamento e conversas on-line.

Sem dúvida alguma, as barreiras da timidez, as dificuldades de olhar esse outro, de frente, são diminuídas, se não, inexistentes, através das máquinas.

Algumas vezes, longe do olhar dos pais, podem ser vítimas ou algozes, num tipo de violência, que hoje chamamos de cyberbullyng. Organizando brigas entre bondes, num solitário mundo que pais desconhecem, pois o tempo passa rápido e é necessário trabalhar cada vez mais horas, pouco tempo restando para fortalecer os laços familiares.

No entanto, já observei, no cotidiano de crianças e adolescentes, que esta rede de máquinas, também facilitam o interagir, quebrando o gelo inicial de encontros. Aglutinando os grupos, em torno de interesses afins, como músicas, vídeos e leituras, estimulando com isso o conhecimento.

Então, será sim, na família e na escola e em espaços de educação informal, que podemos incentivar o contato para além do virtual, e assim, tornar mais fortes, os laços sociais.

sábado, 10 de julho de 2010

SABORES DO CAPS

“ÉS CONVIDADA PARA O LANÇAMENTO DO LIVRO "SABORES DO CAPS", DIA 16 DE JULHO AS 16h30min, NO PAVILHÃO CULTURAL DA FESTA DO PEIXE.
UM PROJETO QUE AINDA ONTEM ERA UM SONHO, HOJE SE TORNA REALIDADE. VOCÊ FAZ PARTE DISTO TUDO! MUITO CONTRIBUÍSTES PARA QUE ISSO ACONTECESSE E ..........A C O N T E C E U!!!!!!
RECEBA MEU FRATERNO
ABRAÇO”.

E quais seriam os “Sabores do Caps?” CAPS – Centro de Atenção Psicossocial de Tramandaí/RS. O sabor de anos de formação. Das experiências de estágio. Das experiências de vida partilhadas com pessoas como Paulo!
O que são projetos e sonhos? E como são importantes as pessoas que partilham desses conosco!
Esse meu amigo, que dia 16 lança seu livro, também fez parte dos meus. Compartilhamos alguns anos juntos, aos sabores dos lanches, depois dos atendimentos, grupos e oficinas.
Lembro do aroma do café forte vindo da cozinha. Das conversas ao redor da grande mesa. Dos olhares de carinho...
Os “Sabores do Caps” tem o perfume da amizade, dos investimentos afetivos, dos olhares de compreensão. Possui também, os toques ácidos e apimentados das angústias humanas, demasiado humanas.
Das janelas entreabertas, da chuva chorando nelas...dos saraus e luaus da subjetividade humana, os cheiros recordam sabores conhecidos. Sabores que se eternizaram nos corações dos que lá iniciaram ou re-iniciaran sua caminhada.
Os “Sabores do Caps” trazem a memória as tardes de poemas e poesias. De tristezas e alegrias, das “Emoções passadas a Limpo!”