Entre Laços - Espaço terapêutico

segunda-feira, 19 de julho de 2010

Entre-laçando Re-flexões


Entre pessoas e MÁQUINAS


Na era da modernidade líquida, como nos fala muito bem Bauman (2005), a preferência é dada aos relacionamentos em redes. Estas podem ser tecidas e desmanchadas com semelhante facilidade, e sem que com isso haja algum envolvimento, além do virtual.

E nesta modernidade, conseguiremos criar laços? Pois entre pessoas estão as máquinas. E como manter estes laços na virtualidade?

Outro dia li um artigo intitulado, Entre pessoas e MÁQUINAS, de um educador da USP e observei com interesse a forma de escrita, em letras maiúsculas, da palavra “máquinas”. O intuito, provavelmente, era chamar a atenção para o valor destas, diria até, para a personificação das mesmas. Ora, já vemos por aí crianças e adultos tratando seus laptops e telefones celulares, como se os mesmos, tivessem vida. Abdicando estes de estar em contato real com os seus semelhantes, nas praças, lanchonetes e sorveterias.

Demasiada preocupação? Pode ser. Mas na verdade poderá existir vida sim, nessas máquinas! Existe a história das vidas de crianças e adolescentes sendo tecidas nas redes virtuais. Angústias adolescentes sendo trocadas, divididas e expostas em sites de relacionamento e conversas on-line.

Sem dúvida alguma, as barreiras da timidez, as dificuldades de olhar esse outro, de frente, são diminuídas, se não, inexistentes, através das máquinas.

Algumas vezes, longe do olhar dos pais, podem ser vítimas ou algozes, num tipo de violência, que hoje chamamos de cyberbullyng. Organizando brigas entre bondes, num solitário mundo que pais desconhecem, pois o tempo passa rápido e é necessário trabalhar cada vez mais horas, pouco tempo restando para fortalecer os laços familiares.

No entanto, já observei, no cotidiano de crianças e adolescentes, que esta rede de máquinas, também facilitam o interagir, quebrando o gelo inicial de encontros. Aglutinando os grupos, em torno de interesses afins, como músicas, vídeos e leituras, estimulando com isso o conhecimento.

Então, será sim, na família e na escola e em espaços de educação informal, que podemos incentivar o contato para além do virtual, e assim, tornar mais fortes, os laços sociais.

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