Como pais sabemos que o ambiente familiar é o primeiro e mais significativo para a interiorização de valores, criação de hábitos e aprendizagens variadas.
Achei interessante introduzir esse assunto com uma historinha. Um casal procurou um rabino para se aconselhar sobre a educação de seu filho de 12 anos, aos quais ele respondeu.
Achei interessante introduzir esse assunto com uma historinha. Um casal procurou um rabino para se aconselhar sobre a educação de seu filho de 12 anos, aos quais ele respondeu.
“Vocês me procuraram com 12 anos de atraso. Um ser humano é como uma árvore. Se você fizer um arranhão no galho de uma árvore crescida, afetará somente aquele galho. Porém, se fizer um risco numa semente, a árvore jamais crescerá reta, se é que chegará a crescer.”
Bauman denomina de
TEMPOS LÍQUIDOS o nosso atual momento. Uma maneira de nos diferenciar dos tempos sólidos, das certezas absolutas, do pensamento único, da previsibilidade de nosso futuro, do endeusamento das ciências. Tempos líquidos são, tempos de relações descartáveis e superficiais, do rápido, da visão individualizada e fragmentada da realidade, da violência e insegurança, da perda de confiança nas instituições, da globalização, da diversidade, da perda de nossas certezas ...
Todo o caos que vem se instalando na sociedade através da violência em suas múltiplas formas: desrespeito, preconceitos, agressões é consequência da falta de disciplina que advém da ausência de limites, de valores, de um significado que dê um sentido a vida, sentido que transcenda o imediatismo e as necessidades materiais cultivadas pelo consumismo desenfreado.
Cada vez mais aumenta o desinteresse dos alunos e a escola não consegue competir com o fascínio do mundo virtual e das novas tecnologias.
Todos os dias ouvimos que precisamos com urgência reinventar a educação, a escola, para que ela seja fascinante, em sintonia com a geração e o mundo atual.
Por outro lado vemos e sentimos o enfraquecimento dos valores morais, o descompromisso de muitos pais com a educação dos filhos, entregando totalmente essa tarefa para a escola. Porém, EDUCAR é tarefa da família e da escola. Estes dois pilares precisam estar em sintonia, "esta bola, família e escola devem jogar juntas". (TAVEIRA, 2010)
Lima (2006), psicólogo e doutor em educação traz importantes reflexões sobre a educação chamada de pós-moderna, referindo que a sociedade com um todo tem responsabilidades. Pais por criarem uma geração sem compromisso com os valores do lar, da família, da tradição cultural local e do país. Educadores pelos efeitos da educação geradora de pessoas individualistas, consumistas, sem gosto pela leitura, sem atitude crítica, desinteressada para transformar o mundo.
Lembra da “geração AI-5” termo da época da ditadura militar, que aparece como fruto alienado e alienante, efeito da repressão daquela “cultura autoritária”. No entanto, a atual geração ‘sem compromisso’ é mais complexa. Inclui desde os sem compromisso com a democracia aos que não tem compromisso com nada.
O declínio da lei-do-Pai, a permissividade da mãe, ou a negligência de ambos, somado ao contexto sócio-político frustrante, a cultura descartável, o futuro incerto, faz com que a nova geração se imagine sem rumo, vivendo apenas o presente e sentindo autorizada a fazer tudo sem dar satisfação a ninguém.
Um garoto ou garota com estilo ‘sem compromisso’ costuma ter um pai com medo de exercer a autoridade de ‘pai’ e uma mãe propensa a dizer sempre ‘sim’ para suas vontades e caprichos. Os professores de hoje também temem essa geração de alunos que ignoram toda e qualquer autoridade.
O problema, porém, não é só econômico e de tempo. É também psicossocial. Ocorre nessa geração “o descompromisso para com o outro”. O outro não é visto com respeito e consideração. Pode até ser tolerado, mas não respeitado. O ‘outro’ podem ser os pais que fazem um enorme sacrifício, por exemplo, pagar o colégio ou comprar-lhes um objeto do desejo dos filhos. O ‘outro’ pode ser a professora que cada vez mais é ignorada e desrespeitada na sua função em sala de aula.
O apoio dos pais é fundamental para ajudar as crianças a se adaptarem à rotina escolar e a conseguir melhores resultados em seu desempenho pedagógico. Educar é uma atuação mais abrangente do que ensinar e transmitir conhecimentos.
É comum que pais que trabalham fora de casa acabem se afastando dos fazeres escolares dos filhos, com a justificativa de estarem muito atarefados. Mas é preciso entender que, mesmo com papéis diferentes, a escola e a família têm o objetivo comum de educar a criança para a vida em sociedade.
Para os estudantes obterem bons resultados na escola, algumas palavras-chave são fundamentais, como: estrutura, disciplina, desafios, reconhecimento, motivação, limites, escolhas, segunda chance, compreensão, respeito e muito amor.
Finalizando compartilho uma mensagem de Celso Antunes.
“Que os pais nunca se recolham na omissão da dúvida, que ajudem suas crianças a ampliar os espaços de suas referências e estimulem com serenidade, mas ardor, suas muitas linguagens, suas inúmeras inteligências, transformando alguns momentos das crianças com quem convivem em instantes de afeto, companheirismo, entusiasmo e paixão.
Que não se atemorizem com inevitáveis erros, mas privilegiem a intenção sincera do acerto. E que não aguardem a maturidade de se tornarem avós para a ousadia da entrega e a sublime missão de construir o futuro.”
Que não se atemorizem com inevitáveis erros, mas privilegiem a intenção sincera do acerto. E que não aguardem a maturidade de se tornarem avós para a ousadia da entrega e a sublime missão de construir o futuro.”
LUCIENE TOMAZI DA SILVA
PSICÓLOGA
ENTRE-LAÇOS
Espaço Terapêutico
AV. Emancipação, 1405 – Sala 203 – Centro – Tramandaí – RS
Contato: Fone (51) 81949669
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