“...estou no norte do estado, um lugar lindo, cheio de subidas e descidas, para ter uma ideia o lugar mais baixo da cidade fica
Esse scrap, recado, na minha página do orkut, deixado por um amigo querido, que conseguiu um trabalho de psicólogo neste local, disparou em mim, algumas associações, relacionadas ao tema, “Saúde Mental”.
Lembrei-me de Patch Adams, O Amor é Contagioso (alguém já viu o filme)? Ele, ainda hoje, contagia genuinamente. Mesmo que busquemos a verdadeira história deste médico, e a mesma, não seja tão romanceadamente engraçada como no filme. Ela afeta! Faz-nos pensar no quanto este sistema massacra os doutores da saúde e junto com eles, os que aguardam, nos corredores e salas de espera, por algo mais que um anti-inflamatório, um CID (Código Internacional de Doenças), ou o antidepressivo do momento.
Pensei na proposta do Ministério da Saúde, HUMANIZA SUS. Que é ótima, pois prevê a INTEGRALIDADE da saúde do ser humano. Mas, essa é uma história loooonga!
Lembrei também de um livro que cheia de arrogância de recém formada, olhei com desdém, “Xiiii, é auto-ajuda” O Futuro da Humanidade de Augusto Cury e costurei tudo isso aos retalhos de minha trajetória de acadêmica e recém formada.
Neste juntar de retalhos em minha mente, foram surgindo os locais em que realizei meus trabalhos, buscando novas possibilidades de atenção aos que sofriam com diversas questões.
A escuta de um limpar de feridas do coração e da alma. O acreditar e acolher demandas individuais que aos poucos se mostravam coletivas e vice-versa. Histórias que desacomodavam, que faziam com que o conforto da poltrona do domingo fosse substituído por uma inquietação gigantesca. Foram momentos de “atravessar desertos com areia nos olhos”.
No entanto, alguns profissionais da saúde me fizeram acreditar que o amor e a paixão pelo outro, ainda prevalece nas suas ações. Ensinaram-me a relevância da atuação interdisciplinar. Que a saúde não pode ser entendida e praticada com um conjunto de ações e saberes isolados. E que, portanto, era necessário produzir ações comuns, sem o predomínio de uma profissão ou campo como detentora das diretrizes do trabalho generalista.
Penso que entendi que somente a partir desta ética dos “afetos”, será possível pensar-se a saúde mental. Somente participando com implicação e envolvimento, para que os grupos se desenvolvam e se tornem conscientes e aptos a exercer atividades cooperativas e organizadas, buscando a emancipação humana.
Muitos foram os que passaram e irão passar por minha história profissional. Muitos permitiram minha aprendizagem. Alguns, no entanto, contribuíram para que eu entendesse que também se faz psicologia em micropolíticas, nas intervenções cotidianas. Estes ampliaram o exercício de minha in-conformação com as práticas que despotencializam e silenciam a vida.
Esses sim, proporcionaram os bons encontros. E para estes uma homenagem de um texto, que como diz o poema de Milton Nascimento: “Certas canções que ouço cabem tão dentro de mim, que perguntar carece como não fui eu que fui eu que fiz”?
“Estar por perto quando as crises acontecem, sentir junto a angústia de vozes que insistem em dizer algo, perceber o corpo que poucos percebem, negociar em cima do telhado, temer os medos comuns de quem, por sorte, sempre se faz diferente.
Combinar combinados sempre a recombinar. Compartilhar a criação de um mundo em que caibam pessoas, pessoas como nós...Experimentar adoecer e, de cuidador, passar a ser cuidado.
Reconhecer o não ter respostas e tentar construí-la junto ao outro – tão igual...
Conhecer novos valores, se permitir chorar, assumir o risco de confiar nos vínculos.
Se assustar com o tamanho da dor e mesmo assim, por força maior, querer estar por perto.
Conhecer de perto demais a impotência frente a morte e a força poderosa da sobrevivência.
Fazer amigos e parceiros, se permitir questionar a si próprio, aprender que pouco se sabe – e o quanto há pra se aprender, criar expectativas – ora pequenas, ora grandes demais!
E ter de mudá-las, reconstruí-las, resgatá-las e conviver num mesmo espaço (que sempre será pequeno para tanto) com famílias, usuários, equipe, outras equipes: pacientes e impacientes...” (SURJUS, 2007, p.
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